Sabe aquela sensação que temos quando fechamos os olhos e parecemos correr? Correr sem rumo, sem direção, sem um porque, apenas correr. Já sentiu essa liberdade? Vamos fazer um exercício, ok?! Primeiro feche os olhos...
Pode ser que dê certo comigo porque esvazio meus pensamentos, tenha certeza, isso é uma fuga! Fecho os olhos, me concentro, crio um lugar; ME TRANSPORTO. E agora... simplesmente corro. Corro para alcançar algo que meus olhos não contemplam, corro... Corro cada passo, respiração milimetricamente compassada, coração? Um descompasso. Corro com pensamentos soltos, palavras entrecortadas, fios soltos, acelero.
Fecho os olhos e me liberto, corro cada vez mais rápido, mais sem significado, com mais relutância, simplesmente corro. Corro de olhos fechados para tentar pegar fôlego, para tentar colocar os pensamentos em ordem, corro! De repente sinto lágrimas descendo das nuvens, lágrimas... Olho um céu cinza, triste, com lágrimas cada vez mais fortes, e me dá mais combustível para correr... então corro; corro sem pedir socorro, sem pensar em meu curpo, num torpor inebriante. ME LIBERTO.
Você consegue sentir? Eu sinto! Cada pensamento insano, cada corrida repensada, cada vento simulado, eu sinto! Corro como se não tivesse mais ar.... Corro buscando meu próprio ar, apenas corro. Corro como se não houvesse ninguém no mundo, corro como se não houvessem julgamentos; corro com músicas não tocadas, corro com músicas ritmadas, ritmos ainda não inventados. ME CONVENÇO.
Continuo correndo, pois parece que é só o que consigo fazer, só o que consigo alcançar, só o que consigo pensar, só o que consigo ser. De repente meu chão se abre, sinto uma sensação diferente, mas sei que continuo correndo. Assim, eu CAIO.
Quando posso abrir os olhos? Quando posso parar de sentir? Quando posso para de imaginar? Não consigo... A sensação se torna forte, sem ter abrigo... ME CUBRO.
Então percebo que isso não passou de mais um sonho confuso. Um sonho bom? Um sonho ruim? Não sei... Apenas sei que sonho isso ainda acordada...
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